Não


Esse “não” é meu
Meus nãos eu conheço
São de pronuncia doce
Nãos assim, quero sempre
Meu “não” nunca é jamais
Tente outra vez...
Quase, talvez...

Esse seu “não” é a reprodução
Do que eu adiei
A palpite seu, ou medo meu
Um “não” ardendo
Com boca de chupão não, não, nãaaaaao

“Não” com tom que se esvazia
Com a falta de ar
Um não beberei
Não sem razão
Um não-sim
Um não sei

Decididamente os seus nãos,
São como os meus.
Desse “não” previsível, rio
E nem adianta ir embora
Com meu não por aí a fora
Fuga infantil
Quer saber?
Esse seu não, só quer dizer:
Me coma...
A-go-ra.

3 comentários:

João Figuer disse...

Arrasando na veia poética. Gostei!

A viajante disse...

Não sei não...acho que não gostei, simplesmente amei!!

Paty Michele disse...

De vez em qdo solto um nãozinho desses tbm...