(des) apego

Eu sei que das cinzas não reacendem o fogo. Aquele mesmo que queima por dentro a vontade de seus olhos. Depois que você fez as malas meu amor, a vida ou o projeto dela ficou sem seus porquês. Todo os nossos sonhos, todos os nossos filhos de fantasia correndo pela casa não fazem mais sentido. O lugar de seu corpo ainda faz as marcas no meu colchão. O jeito que você dormia. Seu rosto de soneca gostosa que eu adorava adentrar. Me rendia a tudo que era você. Como vou dizer ao espelho que as lágrimas ainda pingam no travesseiro. A minha pior mania é achar que voltarás. A dificuldade de aceitação grita e maltrata qualquer ser humano, o que você não é mais. Rezo por seu lugar na eternidade. Já que no meu lado, só agora quando formos passarinhos. Às vezes, e não porque em todas as vezes, me perco nos nossos treze. Outrem está em falta do que me foi você. Decepções são imprescindíveis, eu as vivo se quer saber. Mas no fim de tudo, eu sofro,eu morro, revivendo você.

7 comentários:

Irene Carballido disse...

Lindo Let. Esse é meu filho.

Marcelo Mendonça disse...

lindão

A viajante disse...

Me lembrou uma música, que diz mais ou menos assim: foi um lindo amor, pena não sobreviver, impossível te esquecer, lembrar vc, parece um dom..." Mas isso foi uma paixão...logo o fogo volta a reacender, acredite!

Paty Michele disse...

Estranha essa capacidade de falar de forma tão bela sobre algo tão triste...

Anami Brito disse...

Lindo!!É incível como a dor pode trazer uma reflexão tão bela sobre o sentimento tão nobre que é o amor.

Gabriela Cardoso disse...

amei do texto, bem que eu queria que ele fosse meu... mas combinamos um dia em voltar gatos, não passarinhos!

:/

Marilene disse...

Que talento!