Maestro Zezinho, qual é a música?

"Se você pretende saber quem eu sou, eu posso lhe dizer, entre no meu carro na estrada de Santos e você vai me conhecer, você vai pensar que eu não gosto nem mesmo de mim e que na minha idade só a velocidade, anda junto a mim, só ando sozinho e no meu caminho o tempo é cada vez menor, preciso de ajuda, por favor, me acuda, eu vivo muito só, se acaso numa curva eu me lembro do meu mundo, eu piso mais fundo, corrijo num segundo, não posso parar"

Moro perto de um sinal, de um cruzamento.

Às vezes, no meio da madrugada, acordo ouvindo uma freiada longa, um estrondo e logo começo a rezar por quem está ali.

No começo, quando acontecia isso, eu ligava para pedir socorro. Mas era tanta pergunta de onde eu estava, quantas pessoas se acidentaram, o estado delas, que não estando tão perto assim, vi que estava atrapalhando. Agora só rezo, contando os minutos para ouvir logo a ambulância do Salvar ou a SAMU, que sempre demoram muito.

Trânsito mata muito. Os números são absurdos e crescentes. E não é so aqui na esquina da minha casa. É no mundo inteiro. Mata na Inglaterra, mata na Espanha, mata na Alemanha. As campanhas de segurança no trânsito falam a mesma coisa nos quatro cantos: não corra, use cinto, não beba, não fale no celular.

Essa praga mundial piora numa cidade que tem festa o ano inteiro, que não tem metrô, que não se pode andar nas ruas depois de certa hora e que se vende bebida em posto de gasolina(isso é impensável em alguns países). No Rio de Janeiro, que achamos violenta, é possível em alguns bairros voltar pra casa de noite andando. Nem falei de nenhuma cidade da Europa, onde fazer isso de madrugada, além de seguro, é muito bom.

3 comentários:

A viajante disse...

Um paradoxo...o rio, que dizem ser tão violento, carrega essa magia...andar nas ruas cariocas à noite, é perfeito. Principalmente após comer uma boa pizza e adentrar em seguida numa livraria charmosa nas esquinas do leblon...e a Bahia, creio que vai ter que esperar muito pra ter esse estilo de vida prazeroso ao ar livre! Ah, temos o Pelourinho (argh!)

Marcelo Mendonça disse...

O grande problema é a segurança em Salvador. Meu bairro não se anda depois da 19h. Copacabana ja vi carrinho de bebê as 02h da madruga, gente fazendo compras e tal...

João Esteves disse...

Que blog interessante, desde o título, passando por este blend autoral, aparentemente tão equilibrado.
Valeu pra mim neste post tomar conhecimento de como é que é por aí, ainda que não seja tão positivo o que se tem a dizer. Enfim, a realidade.
Aqui no glamuroso Rio o que não falta é informação nem tão positiva, também. Fazer o quê, né? Viva-se.