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Baiano trabalha sim. Hoje mesmo é feriado e eu estou aqui ou
Preguiça baiana" é faceta do racismo.

A famosa "malemolência" ou preguiça baiana, na verdade, não passa de racismo, segundo a tese de doutorado da professora de antropologia Elisete Zanlorenzi, da PUC. Ela sustenta que o baiano é muitas vezes mais eficiente que o trabalhador das outras regiões do Brasil e contesta a visão de que o morador da Bahia vive em clima de "festa eterna".

"Pelo contrário, é justamente no período de festas que o baiano mais trabalha. Como 51% da mão-de-obra da população atua no mercado informal, as festas são uma oportunidade de trabalho. Quem se diverte é o turista", diz a antropóloga.

O objetivo da tese foi descobrir como a imagem da preguiça baiana surgiu e se consolidou. Elisete concluiu que a imagem da preguiça derivou do discurso discriminatório contra os negros e mestiços, que são cerca de 79% da população da Bahia.

A imagem de povo preguiçoso se enraizou por meio da elite portuguesa, que considerava os escravos indolentes e preguiçosos, devido às suas expressões faciais de desgosto e a lentidão na execução do serviço (como trabalhar bem-humorado em regime de escravidão?).

Depois, se espalhou de forma acentuada no Sul e Sudeste a partir das migrações da década de 40. Todos os que chegavam do Nordeste viraram baianos. Chamá-los de preguiçosos foi a forma de defesa encontrada para denegrir a imagem dos trabalhadores nordestinos (muito mais paraibanos do que propriamente baianos), taxando-os como desqualificados, estabelecendo fronteiras simbólicas entre dois mundos como forma de "proteção" dos seus empregos.

Elisete afirma que os próprios artistas da Bahia, como Dorival Caymmi, Caetano Veloso e Gilberto Gil, têm responsabilidade na popularização da imagem. "Eles desenvolveram esse discurso para marcar um diferencial nas cidades industrializadas e urbanas. A preguiça, aí, aparece como uma especiaria que a Bahia oferece para o Brasil", diz Elisete.

Segundo a tese, a preguiça foi apropriada por outro segmento: a indústria do turismo, que incorporou a imagem para vender uma idéia de lazer permanente "Só que Salvador é uma das principais capitais industriais do país, com um ritmo tão urbano quanto o das demais cidades."O maior pólo petroquímico do país está na Bahia, assim como o maior pólo industrial do norte e nordeste, crescendo de forma tão acelerada que, em cerca de 10 anos será o maior pólo industrial na América latina.

A antropóloga pesquisou jornais de 1949 até 1985 e estudou o comportamento dos trabalhadores em empresas. O estudo comprovou que o calendário das festas não interfere no comparecimento ao trabalho. O feriado de carnaval na Bahia coincide com o do resto do país. Os recessos de final de ano também. A única diferença é no São João (dia 24 /06), que é feriado em todo o norte e nordeste (e não só na Bahia). Em fevereiro (Carnaval) uma empresa, cuja sede encontra-se no Pólo Petroquímico da Bahia, teve mais faltas na filial de São Paulo que na matriz baiana (sendo que o n° de funcionários na matriz é 50% maior do que na filial citada). Outro exemplo: a Xerox do Nordeste, que fica na Bahia, ganhou 2 prêmios de qualidade no trabalho dados pela Câmara Americana de Comércio (e foi a única do Brasil).

Acredita-se hoje (e ainda por mais uns 5 a 7 anos) que a Bahia é o melhor lugar para investimento industrial e turístico da América Latina, devido a fatores como incentivos fiscais, recursos naturais e campo para o mercado ainda não saturado. O investimento industrial e turístico tem atraído muitos recursos para o estado e inflando a economia, sobretudo de Salvador, o que tem feito inflar também o mercado financeiro (bancos, financeiras e empresas prestadoras de serviços como escritórios de advocacia, empresas de auditoria, administradoras e lojas do terceiro setor).

4 comentários:

Padre Alfredo disse...

Juro que eu ia ler, mas vi o tamanho do texto e... deu preguiça!
Vou voltar pra minha rede.

Diogo Lyra disse...

Muito foda essa tese de antropologia. Concordo com os argumentos da autora, sobretudo pq nós, cariocas, também sofremos desse estigma - no caso específico, mais "vagabundagem" que "preguiça". Mas lendo o texto, me ocorreu o seguinte: Rio e Bahia possuem os maiores contingentes de negros e mestiços do Brasil!
Enfim, pau no cu dos paulistas!!!!!

Marcelo Mendonça disse...

Desde Carlota Joaquina, o estigma que escravos (negros) são preguiçosos se perpetua. Depois a turma da música, Caymmi e adjacentes, viu que isso era um filão no marketing artístico deles e a merda é que isso é um conceito generalizado que fode com os baianos, nordestinos e litorâneos até hoje.

Rossano disse...

Quanto dinheiro jogado no lixo para uma tese de doutorado sobre um tema tão absurdo e para chegar num resultado tão pouco convincente. Quantas coisas mais importantes poderiam ser realizadas com este dinheiro, como por exemplo, provar que gaúcho não é gay.