1890

Ela caminhava com feições tranquilas em minha direção. Eu tomando café, fingindo estar lendo um jornal, tentando transparecer calmo. Estava na primeira mesa da cafeteria da esquina com a Parmentier. Ela então senta, exala seu cheiro que me trazia tantas lembranças que agora eu tinha que castrar. Fingi que não a reparava com o jornal cobrindo meu rosto. Ela se irrita com minha falta de atenção. Resmunga quase sussurrando, mas logo esbraveja e começa me dizer as verdades absolutas. Não satisfeita, ela agora alega que não reconheço meus defeitos e que preciso contornar nossas mágoas. Depois de suposições, afirmações fundadas no futuro ou monólogos ferinos pró-separação, me parece que ela propôs esse encontro para reconciliação. Mas não, agora eu também acredito até naqueles palpites que a velha sábia deu sobre a maldita linha da sua mão. Continuo seguindo seus lábios a cada pronuncia de palavras, só para poder me perder nelas. Nada mais me importa. Eu paris de você, mademoiselle.